Erros de escrita em textos científicos para você não cometer mais

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Stephen Hawking: conheça seu legado

Ocientista britânico Stephen Hawking morreu nesta quarta-feira (14) aos 76 anos em sua residência, na cidade inglesa de Cambridge. Sua família enviou uma declaração oficial à imprensa confirmando a morte do físico e cosmólogo. Lucy, Robert e Tim, seus filhos, afirmaram que Hawking era “um grande cientista e um homem extraordinário cujo trabalho e legado viverão por muitos anos”.

Considerada uma das mentes mais brilhantes da história da ciência, ele fez grandes contribuições à comunidade científica, com teorias como a do espaço-tempo e do funcionamento dos buracos negros, a partir das quais conseguiu aproximar o público de temas que poderiam parecer complexos para muitos.

Há décadas convivia com esclerose lateral amiotrófica, doença responsável por paralisar os músculos do corpo, mas que não comprometeu suas funções cerebrais.

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Nascido em 1942, no aniversário de 300 anos da morte de Galileu, Hawking realizou seu trabalho acadêmico nas universidades britânicas de Oxford e Cambridge. Autor de best-sellers como Uma Breve História do Tempo e O Universo numa Casca de Noz, o cientista foi responsável por popularizar a física teórica para um público leigo.

Separamos oito reflexões a partir das quais é possível ter uma visão mais profunda da linha de pensamento — e das contribuições científicas do cosmólogo:

“Deus pode existir, mas a ciência consegue explicar o universo sem a necessidade de um criador.” 
Em múltiplas ocasiões, Hawking afirmou ser ateu. Neste caso, Deus seria uma espécie de limitação, ou seja, as pessoas só saberiam aquilo que Ele sabe. A diferença entre a religião e a ciência, de acordo com Hawking, é que a primeira é baseada em uma autoridade, enquanto a segunda funciona a partir da observação e da razão. “Eu acredito que o universo é regido pelas leis da ciência”, explicava. “A ciência triunfará porque ela funciona.”

“Acredito que a vida se desenvolve de forma espontânea na Terra, então deve ser possível para ela se desenvolver em outros planetas.” 
Hawking acreditava que formas inteligentes, não apenas microbianas, de vida existem em outros lugares do universo. Tanto que lançou um programa de 100 milhões de dólares cujo objetivo era buscar uma civilização extraterrestre.

A segunda parte da missão consistiria em compilar uma mensagem para ser enviada para essas formas de vida. “Não há questão maior. Está na hora de nos comprometermos a achar a resposta, a procurar vida fora da Terra. Estamos vivos. Somos inteligentes. Precisamos saber”, disse o físico.

stephen hawking (Foto: Flickr/Charis Tsevis)ILUSTRAÇÃO EM HOMENAGEM A STEPHEN HAWKING (FOTO: FLICKR/CHARIS TSEVIS)

“O desenvolvimento da inteligência artificial pode ser o fim da raça humana.”
Por sofrer de esclerose lateral amiotrófica, que compromete o funcionamento do sistema nervoso, o cosmólogo contava com a tecnologia para se comunicar. Especialistas da Intel e da Swiftkey criaram um sistema que, por meio do teclado de um aplicativo no smartphone, aprendia como Hawking pensava e sugeria palavras que ele queria usar em seguida. O desenvolvimento dessa tecnologia envolveu inteligência artificial, o que impressionava e assustava o cientista ao mesmo tempo.

Para ele, era necessário ter cautela para não criar uma espécie de Skynet que ultrapassaria a inteligência humana e substituiria as pessoas. Essa preocupação se estendia principalmente ao desenvolvimento de armas autônomas. Em carta aberta, Hawking e centenas de outros cientistas se posicionaram em relação às consequência desse tipo de tecnologia.

“A tecnologia relacionada a inteligência artificial chegou a um ponto no qual a disposição desses sistemas é possível em questão de anos, não décadas, e as expectativas são altas: as armas autônomas foram descritas como a terceira revolução para as guerras, após a pólvora e as armas nucleares”, diz o documento.

“A pergunta chave para a humanidade hoje é se devemos dar início a uma corrida de armas feitas com inteligência artificial ou se devemos prevenir que ela sequer comece. É só uma questão de tempo até que elas apareçam no mercado negro ou nas mãos de terroristas e ditadores que querem controlar suas populações, ou déspotas que desejam fazer ‘uma limpeza’ étnica em seus territórios.”

“A ideia de viagem no tempo não é tão louca quanto parece.” 
Em artigo escrito para o Daily Mail em 2010, Hawking revelou que, por muito tempo, evitou falar sobre viagem no tempo por receio de ser rotulado de louco. Mas com o passar dos anos, deixou essa abordagem de lado. “Eu sou obcecado com o tempo. Se eu tivesse uma máquina do tempo, eu visitaria Marilyn Monroe em seus dias de glória ou iria atrás de Galileu enquanto ele construia seu telescópio. Talvez eu até viajasse para o fim do universo para descobrir como a nossa histórica cósmica termina”, escreveu.

O físico sugeria a existência de uma quarta dimensão. Haveria, além da altura e do comprimento, um outro tipo de comprimento: o do tempo. “Tudo tem um comprimento no tempo, bem como no espaço”, explicou. Logo, viajar no tempo seria viajar pela quarta dimensão, uma espécie de portal com o nome de “buraco de minhoca”.

“Os buracos de minhoca estão por toda parte do nosso redor, mas eles são muito pequenos para que consigamos vê-los. Eles ocorrem em fendas e cantos do espaço e do tempo. Alguns cientistas acreditam que talvez seja possível aumentá-los o suficiente para que humanos ou naves espaciais possam utilizá-los.”

Eddie Redmayne interpreta Stephen Hawking em 'A Teoria de Tudo' (Foto: Divulgação)O ATOR EDDIE REDMAYNE COMO STEPHEN HAWKING NO FILME A TEORIA DE TUDO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

“As coisas podem escapar de um buraco negro, tanto para o lado de fora, como também possivelmente em um outro universo.” 
Em 1974, Hawking argumentou que os buracos negros, supostamente campos gravitacionais impossíveis de se escapar, emitem um tipo de radiação térmica por conta de efeitos quânticos. Chamada de radiação Hawking, quando emitida em grande quantidade, teoricamente, pode fazer com que o buraco negro desapareça e que, com isso, a informação sobre o estado físico de um objeto que cai no buraco negro seja destruída.

Isso aconteceria de acordo com a relatividade geral. Já sob o ponto de vista da mecânica quântica, essa mesma informação não poderia se perder. Esse paradoxo tem perdurado pelos últimos 40 anos.

Em 2004, o cientista mudou de ideia, afirmando que a informação poderia sobreviver. No fim de agosto de 2015, ao falar da radiação Hawking, o cosmólogo sugeriu uma nova abordagem que pode mudar para sempre a forma como buracos negros são vistos e discutidos. “Eu proponho que a informação não é armazenada no interior do buraco negro, como é de se esperar, mas sim em seu limite, o horizonte de eventos”, disse o cientista.

Basicamente, ao ser sugada pelo buraco negro, a informação passaria por um processo de tradução, criando um holograma da informação que sobreveviria e escaparia pelo horizonte de eventos. “Os buracos negros não são tão negros como os fizemos parecer. Eles não são as prisões eternas que já foram considerados uma vez”, explicou Hawking.

“Você tem que ter uma atitude positiva e tirar o melhor da situação na qual se encontra.” 
O cosmólogo foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica quando tinha 21 anos. Na época, a previsão dos médicos era de que Hawking teria apenas mais três anos de vida. Ele lidava com a doença se focando em atividades relacionadas com a física teórica, que não exigiam seu esforço físico. “A ciência é uma área boa para pessoas deficientes porque ela precisa principalmente da mente”, afirmou.

stephen hawking (Foto:  )STEPHEN HAWKING DURANTE PALESTRA EM MARÇO DE 2017, QUANDO FALOU À PLATEIA EM HONG KONG POR MEIO DE UM HOLOGRAMA 3D (FOTO: REPRODUÇÃO )

“Manter alguém vivo contra a sua vontade é uma grande indignidade.”
O suicídio assistido deveria ser um direito dos pacientes de doenças terminais, de acordo com Hawking. O cientista afirmou, durante um programa da BBC, em junho de 2015, que consideraria dar um fim à própria vida se sentisse ser um fardo para outras pessoas e não tivesse mais contribuições a fazer. No entanto, ele admitiu que ainda tinha muito a oferecer à sociedade. “Nem pensem que eu vou morrer antes de desvendar mais segredos do universo”, declarou.

“Nós somos uma espécie avançada de macacos em um planeta menor de uma estrela mediana. Mas nós conseguimos entender o Universo. E isso nos torna muito especiais.”
O objetivo de Hawking era obter a compreensão total do Universo, como os motivos de ele ser como é e a razão de ele existir. A dica do cientista para as pessoas era olhar para as estrelas e não para baixo, para os próprios pés. “Tente encontrar sentido no que você vê, e se pergunte sobre o que faz o Universo existir”, dizia. “Seja curioso.”

Publicado originalmente pela revista Galileu

“Este é o momento mais perigoso para o nosso planeta”

“Não podemos continuar a ignorar a desigualdade, porque temos os meios para destruir o nosso mundo, mas não para escapar dele”. Por Stephen Hawking, no The Guardian.

Como físico teórico baseado em Cambridge, vivi a minha vida numa bolha extraordinariamente privilegiada. Cambridge é uma cidade incomum, centrada em torno de uma das grandes universidades do mundo. Dentro dessa cidade, a comunidade científica de que me tornei parte quando tinha 20 anos é ainda mais rarefeita.

E dentro dessa comunidade científica, o pequeno grupo de físicos teóricos internacionais com quem passei a minha vida de trabalho pode às vezes sentir-se tentado a considerar-se como o pináculo. Além disso, com a celebridade que veio dos meus livros e o isolamento imposto pela minha doença, sinto que a minha torre de marfim está a ficar mais alta.

Assim, a recente e aparente rejeição das elites tanto na América como na Grã-Bretanha é seguramente dirigida a mim, tanto quanto a qualquer um. O que quer que pensemos da decisão do eleitorado britânico de rejeitar a adesão à União Europeia e do público americano para abraçar Donald Trump como seu próximo presidente, não há dúvidas na mente dos comentadores de que este foi um grito de raiva de pessoas que sentiram que tinham sido abandonadas pelos seus líderes.

Foi, todos parecem concordar, o momento em que os esquecidos falaram, encontrando as suas vozes para rejeitar o conselho e a orientação de especialistas e da elite em todos os lugares.

Não sou nenhuma exceção a esta regra. Eu avisei antes da votação que o Brexit prejudicaria a pesquisa científica na Grã Bretanha, que uma votação para sair seria um passo para trás, e o eleitorado – ou pelo menos uma proporção suficientemente significativa dele – não me prestou mais atenção do que a qualquer um dos outros líderes políticos, sindicalistas, artistas, cientistas, empresários e celebridades que deram o mesmo conselho ignorado pelo resto do país.

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Montagem de Stephen Hawking

O que importa agora, muito mais do que as escolhas feitas por esses dois eleitorados, é como as elites reagem. Deveríamos nós, por sua vez, rejeitar esses votos como derramamentos de populismo bruto que não levam em conta os factos e tentam contornar ou circunscrever as escolhas que eles representam? Eu diria que esse seria um erro terrível.

As preocupações subjacentes a estas votações sobre as consequências econômicas da globalização e a aceleração da mudança tecnológica são absolutamente compreensíveis.

A automatização das fábricas já dizimou empregos na fabricação tradicional e o aumento da inteligência artificial irá provavelmente estender esta destruição de postos de trabalho para o centro da classe média, sobrando apenas as funções de prestação de cuidados, criativas ou de supervisão.

Isso, por sua vez, acelerará a já crescente desigualdade económica em todo o mundo. A internet e as plataformas tornam possível que grupos muito pequenos de indivíduos possam ter enormes lucros ao empregar muito poucas pessoas. Isso é inevitável, é o progresso, mas também é socialmente destrutivo.

Precisamos colocar esta informação ao lado do crash financeiro, que fez com que as pessoas se dessem conta que muito poucos indivíduos a trabalhar no setor financeiro podem acumular grandes recompensas e que as restantes pessoas vivem afastadas desse sucesso e pagam a conta quando a sua ganância comete erros. No conjunto, vivemos num mundo de uma desigualdade financeira cada vez maior, em que muitas pessoas vêem não só o seu padrão de vida, mas sua capacidade de ganhar dinheiro a desaparecer. Não é surpresa nenhuma então que estejam à procura de uma nova fórmula, que Trump e o Brexit possam ter parecido representar.

É também outra consequência involuntária da disseminação global da internet e das redes sociais que a natureza dessas desigualdades seja muito mais aparente do que foi no passado. Para mim, a capacidade de usar a tecnologia para comunicar tem sido uma experiência libertadora e positiva. Sem ela, não teria sido capaz de continuar a trabalhar passados todos estes anos.

Mas também significa que as vidas das pessoas mais ricas nas partes mais prósperas do mundo são agoniantemente visíveis para qualquer pessoa, por mais pobre que seja, desde que tenha acesso a um telefone. E já que há mais pessoas com um telefone do que com acesso a água potável na África subsaariana, isso significará que em breve quase todas as pessoas no nosso planeta cada vez mais lotado não serão capazes de escapar da desigualdade.

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 “Na África subsaariana, há mais pessoas com um telefone do que o acesso a água limpa”.

As consequências disto são claras: os pobres rurais reúnem-se nas cidades, nas favelas, impulsionados pela esperança. E então, muitas vezes, achando que o nirvana do instagram não está disponível lá, procuram-no no exterior do país, juntando-se num número cada vez maior de migrantes econômicos em busca de uma vida melhor. Esses migrantes, por sua vez, colocam novas exigências nas infraestruturas e economias dos países onde chegam, minando a tolerância e alimentando ainda mais o populismo político.

Para mim, o aspecto realmente preocupante é que agora, mais do que em qualquer outro momento da nossa história, a nossa espécie precisa de trabalhar em conjunto. Enfrentamos desafios ambientais impressionantes: alterações climáticas, produção de alimentos, superpopulação, dizimação de outras espécies, doenças epidêmicas, acidificação dos oceanos.

Juntos, eles são uma lembrança de que estamos no momento mais perigoso do desenvolvimento da humanidade. Agora temos a tecnologia para destruir o planeta em que vivemos, mas ainda não desenvolvemos a capacidade de lhe escapar. Talvez em algumas centenas de anos teremos estabelecido colônias humanas nas estrelas, mas agora temos apenas um planeta e precisamos trabalhar juntos para o proteger.

Para fazer isso, precisamos de quebrar, não de construir, barreiras dentro e entre as nações. Se quisermos ter uma hipótese de o fazer, os líderes do mundo precisam de reconhecer que fracassaram e que estão a falhar a muitas pessoas. Com recursos cada vez mais concentrados nas mãos de poucos, vamos ter de aprender a partilhar muito mais do que no presente.

Com não apenas os postos de trabalho, mas indústrias inteiras a desaparecer, devemos ajudar as pessoas a treinarem-se para um novo mundo e apoiá-los financeiramente enquanto o fazem. Se as comunidades e as economias não conseguem lidar com os níveis atuais de migração, devemos fazer mais para encorajar o desenvolvimento global, pois é a única maneira de persuadir os milhões de migrantes a procurar o seu futuro em casa.

Podemos fazê-lo, sou um enorme otimista para com a minha espécie; mas exigirá que as elites, de Londres a Harvard, de Cambridge a Hollywood, aprendam as lições do ano passado. Para aprender acima de tudo uma medida de humildade.


Artigo publicado originalmente no The Guardian(link is external) a 1 de dezembro de 2016,

 

 

 

Saímos do armário: somos mães na universidade!

Quem somos nós? Somos professoras, estudantes, pesquisadoras…e somos mães. Muitos de nossos colegas sequer sabem que existimos, pois as escolas e universidades não foram feitas para nós. A maternidade é considerada uma simples escolha, privada, com cujas dificuldades e custos devemos arcar sozinhas.

Muitas de nós tem medo de dizer que são mães, pois uma mãe não pode ser cientista. A ciência é uma atividade masculina ou, quando muito, algo que só as mulheres bem nascidas podem realizar.


Com nossas histórias de vida, podemos dizer que isso não é verdade. Mesmo com todas as dificuldades econômicas, culturais e mesmo políticas, seguimos estudando e trabalhando.


Somos mães na universidade, nas escolas, institutos federais e queremos dar um basta na desigualdade que nos separa de uma vida de trabalho e estudo plena. Queremos ser aceitas, receber apoio, ter acesso a estruturas públicas para que possamos estudar e pesquisar enquanto nossos filhos são cuidados. Não basta falar que somos importantes para a sociedade e não garantir o mínimo que necessitamos. Não basta falar que nossos filhos e filhas são o futuro do país e seguir hostilizando as mães trabalhadoras que precisam levar suas crianças para sala de aula. 


A universidade é nosso lugar, pois nosso lugar é onde quisermos estar. Queremos o direito ao desenvolvimento pleno de nossas vidas, sejamos mães ou não. Exigimos sermos respeitadas, sejamos mães e solteiras, mães casadas, mães em uma relação homoafetiva, mães pobres, mães negras, mães indígenas, mães imigrantes, mães jovens ou não.

Nenhum elogio pode substituir nossos direitos, pois apenas a garantia efetiva de nossas vidas e da vida de nossas crianças pode significar um apoio concreto.
Saímos do armário em todo Brasil hoje para dizer que as mães existam na universidade, sim!

Queremos respeito, mas queremos também direitos!
Por mais creches nas escolas e universidades públicas.
Por auxílio-maternidade digno para as bolsistas e pesquisadoras mães.
Em defesa da licença maternidade para estudantes mães.

Pelo direito à alimentação das filhas e filhos de estudantes nos restaurantes universitários, bem como a garantia de sua integridade, segurança e cuidado em todos os espaços das universidades e escolas.

Acesse a página Mães na universidade pelo link: https://www.facebook.com/maesnauniversidade/

#VaiTerMãeNaUniversidadeSim

Fonte: Texto e fotos publicados originalmente na página Mães na universidade.

A Universidade Federal de Lavras, a Fake News e o Fascismo disfarçado sob o nome de Escola Sem Partido.

Nesta última semana, a Universidade Federal de Lavras (UFLA) se viu envolvida numa grande confusão.

O caso:

Historicamente, na primeira semana de aula, a UFLA oferece uma programação inteiramente dedicada aos calouros. É uma forma do calouro se familiarizar com ambiente físico da universidade, já que as aulas são descentralizadas, e com a comunidade acadêmica. Participam como organizadores: a reitoria, as pró-reitorias, centros acadêmicos, diretório central dos estudantes, associação dos docentes, associação dos técnicos administrativos, grupos PETS, coordenadorias de cursos, etc. Portanto, é uma semana bastante cheia de atividades e com temas diversos, cabendo ao calouro escolher em qual atividade participar, ou até mesmo não participar. Nada acontece se faltar uma tarde, ou um dia todo, por exemplo. No entanto, a participação no contexto geral da semana é obrigatória, pois já são considerados dias letivos. O que regulamente isso é RESOLUÇÃO CEPE N 042, que estabelece normas gerais do ensino de graduação da UFLA. Caso o estudante necessite ausentar-se durante as duas primeiras semanas letivas, deverá ter sua justificativa de ausência comunicada.

Na programação deste ano letivo de 2018/1, está previsto para um dos dias, a seguinte grade:

  • Controle Social e Garantia de Direitos
  • Gênero e Sexualidade
  • A política de Cotas na Universidade Brasileira
  • Gênero e Trabalho
  • Questões de Gênero
  • Mulheres fazem e contam a História: Saberes, Ciência e Movimentos Sociais
  • História das Lutas do Movimento LGBT

A presença destes temas na “semana do calouro” levou o movimento “escola sem partido” a entrar na justiça para impedir que a presença no evento seja compulsória, ou seja, obrigatória.

Conforme dito acima, a presença não é, e nem nunca foi obrigatória, nada acontece ao aluno que não participar de um dia destas atividades. Outra opção é participar e colocar o seu ponto de vista caso seja divergente.

O fato é que todo o contexto foi desvirtuado, gerando manchetes em jornais tais como:

“Universidade vai expulsar calouros que não assistirem a palestras sobre “gênero” e “movimentos LGBT””

“Reitor obriga alunos a participarem de oficinas sobre ‘diversidade e diferenças’

O Sindicato dos Técnico-Administrativos das Instituições de Ensino Superior de Lavras – SINDUFLA publicou a seguinte nota:

“Sob o falso pretexto de combater a “doutrinação” nas universidades alinhada com uma determinada ideologia política, é cada vez mais frequente a ação de grupos conservadores que querem impingir sua própria visão de mundo, ameaçando quaisquer iniciativas que vão contra suas crenças e seus valores. Com intuito claramente intimidatório, tais ações colocam em risco a autonomia universitária, a liberdade de cátedra e os fundamentos de uma sociedade plural e democrática.

Em um país cujos índices de violência contra grupos minoritários, composto por mulheres, jovens negros/as, pobres, pessoas LGBTI, povos indígenas, entre outros, figuram entre os mais altos do mundo; em um pais onde se observam números alarmantes de casos de machismo, racismo, homofobia nas mais diversas instâncias sociais, inclusive dentro das universidades, é de se espantar que temas voltados para a temática de gênero, política de cotas e direitos humanos sejam considerados como sendo “pautas de esquerda” quando, na verdade, deveriam ser uma causa defendida por todos os cidadãos e cidadãs, independente de ideologia político-partidária”

A direção da UFLA também publicou uma nota lamentando as interpretações equivocadas sobre a programação da recepção de calouros 2018/1:

Neste período letivo, o tema a ser abordado, em parte das atividades, tem foco em questões humanistas e cidadãs, como as de gêneros, garantia de direitos e políticas de cotas. A temática foi escolhida de acordo com o Pacto Nacional Universitário pela Promoção do Respeito à Diversidade, Cultura de Paz e Direitos Humanos, do qual a UFLA é signatária, e com as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, do Conselho Nacional de Educação, Ministério da Educação (MEC).

A UFLA é uma das mais qualificadas universidades do País por todos os indicadores disponíveis. Por princípio, não trata de questões partidárias. Dedica-se ao ensino de qualidade, à geração de conhecimentos, ao desenvolvimento de tecnologias e produtos inovadores e à extensão, buscando oferecer retorno à sociedade. Por agir sob tais princípios, os temas das oficinas são tratados de maneira isenta e técnica, com espaço às mais variadas manifestações dos estudantes. No entanto, os temas listados a seguir têm sido classificados por algumas pessoas como se fossem posicionamentos de esquerda radical, causando distorções que estão confundindo a população, quando, na verdade, trata-se de assuntos puramente de interesse humano, sem qualquer conotação partidária”

O movimento escola sem partido é um projeto criado para combater a ideologia nas escolas do Brasil. Só que ele mesmo é profundamente ideológico e pretende, na verdade, definir uma única ideologia possível para os professores. Flerta perigosamente com o fascismo, ao proibir a divergência e a diversidade ideológica. Quem fala sobre isso é o historiador Leandro Karnal.

 

Blogs Científicos – UNICAMP

Projeto iniciado em 2015, o Portal de Blogs de Ciência da Unicamp coloca pesquisadores, docentes e alunos da Universidade para falarem sobre ciência diretamente com o público a respeito de seus trabalhos com uma linguagem descomplicada.

No intuito de estimular a divulgação científica através dos recursos disponíveis na Web 2.0, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, lançou no ano de 2015 sua primeira plataforma de Blogs de Ciência através de uma parceria inicial entre o Espaço de Apoio ao Ensino e Aprendizagem da Unicamp – EA2, Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo – Labjor e o Laboratório de Inovação Tecnológica Aplicada na Educação – LANTEC, após dois anos de projeto esta parceria foi alterada para Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo – Labjor, Assessoria de Comunicação da Unicamp – ASCOM.

Sendo inspirada em outras iniciativas de sucesso brasileiras e mundiais, como por exemplo: ScienceBlogs, ResearchBlogging, ScienceSeeker, Real Climate, Harvard Blogs, Divulgare e Anel de Blogs Científicos os “Blogs de Ciência da Unicamp” reúne pesquisadores, professores e alunos de pós-graduação da Universidade com o objetivo de promover uma ferramenta prática e amigável como proposta de canal de divulgação científica.

Até o momento o Projeto conta com 39 blogs com artigos de diferentes áreas, como: citricultura, meio ambiente, biologia, educação física, dança, paleontologia, entre outros. Até Outubro de 2017 foram realizados 7 cursos formando 272 blogueiros.

Conheça o Portal de Blogs de Ciência da Unicamp e suas redes sociais:

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