Ciência e Religião

Li recentemente o livro “ORIGENS-Catorze bilhões de evolução cósmica” escrito por Neil deGrasse Goldsmith em parceria com Donald Goldsmith.

O resultado após a leitura do livro de certa forma é duplamente frustrante, primeiro porque vários dos conceitos apresentados muitas vezes são de difícil compreensão, buscados nos conhecimentos mais avançados da astronomia, astrofísica, etc. Mesmo sendo um livro de divulgação e popularização da ciência, absorver o que está sendo dito não é uma tarefa simples.

Por exemplo, assimilar que tudo que existe hoje no universo, um dia coube num espaço menor que a cabeça de um alfinete, e que nesse lugar, buracos negros se formavam, desapareciam e se formavam novamente. A hipótese apresentada é que este é ambiente cósmico que criou as condições para o início do universo!

Nesse ponto, inevitavelmente você pensa “eliminam Deus para apresentar isso como alternativa? ”

E isso está diretamente ligado a segunda frustração, porque a origem do universo, da Terra, do sistema solar no qual ela está inserida, e da própria vida, estão no campo meramente especulativo.

O livro em si é interessantíssimo, invoca múltiplos ramos da ciência para responder a pergunta: “de onde viemos?”, o tempo todo você defronta com o acúmulo cientifico utilizado para desvendar 14 bilhões de anos de história. Para nós que vivemos míseros 70 anos é uma tarefa árdua.

O conhecimento adquirido até então, permite afirmar que o universo está em expansão e oferece boas bases para o modelo do Big Bang. Ou seja, o universo está em formação, e se isso for verdade, como podemos afirmar, segundo as religiões que “Deus criou o universo”?

Por outro lado, tomando a premissa Deus como verdadeira, mas utilizando os argumentos científicos, surge uma constatação importante, o universo foi criado há 14 bilhões de anos, as evidências do surgimento de nosso sistema solar apontam para 4,6 bilhões e as espécies vivas para um tempo não superior a 1 bilhão de anos. A pergunta que não se cala é: “o que Deus teria ficado fazendo por todo esse tempo”?

Minha percepção após esta leitura é a de fazer uma analogia com uma colcha de retalhos, as religiões oferecem a colcha pronta sem mostrar como cada retalho apareceu ali, já as ciências têm produzido seus retalhos,o que é pertinente às mentes inquietas, mas estão bastante longe de alinhavar cada um deles e produzir uma colcha completa.

colcha-de-retalhos3

Para finalizar essa pequena problematização entre ciências e religião, trago Carl Sagan em “Pálido ponto azul”:

“Como é possível que praticamente nenhuma religião importante tenha olhado para a ciência e concluído: ‘Isso é melhor do que imaginávamos! O Universo é muito maior do que disseram nossos profetas, mais grandioso, mais sutil, mais elegante’? Em vez disso, dizem: ‘Não, não, não! Meu Deus é um deus pequenininho, e quero que ele continue assim.’ Uma religião, antiga ou nova, que ressaltasse a magnificência do Universo como a ciência moderna o revelou poderia atrair reservas de reverência e respeito que continuam quase intocadas pelas crenças convencionais.”

 

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