Problematizando a Marcha pela ciência no Brasil

Milhares de cientistas e entusiastas da ciência, em todo o mundo, foram as ruas neste sábado (22/04/2017), num evento denominado “Marcha pela Ciência” (March for Science). O evento nasceu nos Estados Unidos, como uma reação ao discurso anticientífico do presidente Donald Trump, e se espalhou pelo mundo. O objetivo principal é o de chamar atenção da população mundial do papel vital que a ciência desempenha em nossa saúde, segurança, economia e governos.

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Marcha pela ciência em Nova York (Foto: Andrew Kelly/Reuters

A ideia é cobrar que governos tomem decisões baseadas em dados científicos e não por achismos ideológicos. Os organizadores descreveram a marcha como política, mas não partidária, para promover a compreensão da ciência, bem como defendê-la de vários ataques, incluindo propostas de cortes no orçamento.

No Brasil, o que levou os cientistas as ruas foram os cortes do orçamento federal destinado à ciência e tecnologia, apesar do número de pesquisadores, mestres e doutores formados no Brasil continuar crescendo ano a ano. No último contingenciamento anunciado pelo governo federal, em março, o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) foi reduzido em 44%, de R$ 5 bilhões para R$ 2,8 bilhões. O orçamento de 2017 regrediu para o mesmo valor do orçamento de 2005, apesar do pessoal envolvido com a ciência ter praticamente dobrado neste período, a conta não fecha!

O que chama atenção é porque só agora “a ciência” resolveu tomar as ruas, deveríamos estarmos nelas há 30 ou 40 anos. Aqui no Brasil o evento teve baixa adesão, tanto por parte do meio acadêmico como da população em geral, o que já era de se esperar. Internamente, a universidade é hostil com a política, e externamente, esteve alheia as vozes das ruas. Ou seja, a universidade não sabe fazer política.

Para se ter uma ideia do grau de apatia em que estamos, olhemos para Campinas no interior de São Paulo, a cidade abriga a UNICAMP, LNLS e está em construção do SIRIUS, que será um dos laboratórios mais modernos do mundo na área de luz Síncroton, simplesmente não teve nada no dia de hoje, como pode?

Que a Marcha pela Ciência seja o início de uma nova realidade no meio acadêmico, não há como exigir que políticos utilizem a ciência, se a ciência não utiliza a política.

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