O MENINO FANTASIADO DE MACACO, A PROPAGANDA DA PARMALAT E O QUE PRECISA SER DITO

Desde o carnaval, quando surgiram as primeiras imagens de um pai vestido de Aladin, carregando nos ombros o seu filho vestido de Abu, o macaquinho companheiro de Aladin, acompanho inquietamente a história. Naquele momento ainda não se sabia quem eram eles, onde a foto tinha sido feita  e porque de estarem daquele jeito.

 Algumas pessoas condenaram instantaneamente, outras pediram cautela, dizendo que era preciso saber o contexto, o fato é que a história correu o mundo.

 De lá para cá li alguns textos na internet sobre o assunto, as justificativas do próprio pai e uma carta maravilhosa de Mariana Emiliano endereçada a eles (e a todos). Mas também li tolices, é o que mais tem na internet, debates rasos com opiniões infundadas. Dentre elas, alguém diz: “eu sou branquelo, me chamam de lagartixa” um outro emenda “sou muito alto, desde criança me chamam de girafa” e por ai vai…a lista de besteiras é grande!

Com este episódio latejando na cabeça, me lembrei de uma propaganda que a Parmalat fez no final dos anos 90, nela bebês vestidos de animais, incluindo um macaco, brincavam enquanto uma música chiclete tocava ao fundo. Dentre as várias crianças, havia 1 menininho negro (inclusão também precisa ser debatida) que os marqueteiros tiveram o cuidado de o colocar interpretando uma ovelha.

A propaganda foi sucesso total, as pessoas falavam dela, cantavam a sua música, compravam os bichinhos de pelúcia e provavelmente vendeu muito leite. Mas, e se tivessem colocado o garotinho negro de macaco? Certamente o que foi um grande sucesso teria sido uma grande dor de cabeça!

 E porque fantasiar as crianças de animais pode, mas vestir uma criança negra de macaco não pode? É por causa do peso histórico e da conotação preconceituosa, que atrelar uma pessoa negra ao bicho macaco é tão desconfortável.

O negro passou a ser relacionado ao macaco, quando os estudos sobre a evolução (Lamarck e Darwin) ganharam notoriedade e foram deturpados. Assim, um europeu era considerado um ser mais evoluído e um negro menos, ou seja, estaria próximo do macaco! Essa distorção nas teorias da evolução era utilizada então, para justificar a escravidão de negros africanos e toda a barbárie cometida contra eles. Portanto, o macaco é o símbolo de um contexto terrível da história dos povos negros e por isso ligar negros a macacos e vice-versa, não é legal.

Quanto ao pai do garoto, creio que ele foi de uma ingenuidade infantil, talvez tão ingênuo quanto o próprio filho sorridente na foto que roda o mundo, ao não ter percepção que vestir seu filho de macaco e sair para rua poderia gerar o que gerou.

Que o pai e a mãe absorvam as críticas construtivas que tem surgido sobre eles, têm pessoas escrevendo ótimas reflexões sobre o caso. Que ninguém cometa nenhum atentado físico contra a família, já que ameaças foram feitas. A violência psicológica está em curso, estão sofrendo ataques diários, mas é consequência de um ato impensado. A internet é uma juíza má e implacável, que condena sem provas.

 Espero que possamos sair melhor do que entramos desse episódio, porque estar em 2016 discutindo racismo é realmente lamentável!

Indicamos esse texto UMA ABORDAGEM CONCEITUAL DAS NOÇÕES DE RACA, RACISMO, IDENTIDADE E ETNIA do Prof. Dr. Kabengele Munanga (USP) que mostra um pouco do que é o racismo científico

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